Papo com Lêda

Papo 001 / Fevereiro de 2008

 
 

Polaridades
 

Conheci esta noivinha linda e sorridente em 1999, na casa do Mestre Salustiano, em Olinda, e, no final do ano passado, ela casou-se “duas vezes” com este frevista carioca e sorridente, usando este lindo vestido da noivinha do bolo: primeiro na Igreja da Sé, em Olinda (15-11-07), e depois em um sítio no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro  (18-12-07), onde celebraram com os amigos que deram o furo e não compareceram ao primeiro casório (eu fui um dos que não pegaram o avião).

Partindo dessa relação amorosa, senti que, para começar o Papo com Lêda neste novo ano, desejava e desejo falar sobre a importância do processo de individuação do educador, já que este se propõe a desenvolver uma relação, a criar um vínculo com as crianças e os jovens. Apoiada na Psicologia Analítica e no Educador Holístico Roberto Crema, desenvolverei o meu pensamento.

 


 

Sabemos que o rompimento saudável da simbiose – mãe x criança – (até o 10º dia de vida) é a chave para a estruturação da identidade que leva o sujeito à sua totalidade. Isto ocorrendo, ele deixa de ser mais uma parte da coletividade, permitindo que aflore sua individualidade e transforma-se numa unidade.

Manter-se neste estágio é muito difícil, pois o indivíduo ainda se encontra muito próximo das mutações rápidas e envolventes do coletivo – mundo externo –, podendo ser atraído por elas e perder-se de si mesmo. Caso não perca o controle da sua individualização, ele estará pronto a iniciar sua jornada em busca do seu centro (mundo interno – self), através das suas relações como indivíduo, desenvolvendo sua personalidade como um todo e aprimorando seu ego em todos os níveis, encontrando, dessa forma, o significado e atingindo sua individuação.

Aqui também ele precisa tomar cuidados para não perder o controle do equilíbrio entre os dois mundos (interno e externo). Ao envolver-se com o centro (mundo interno) e esquecer-se da periferia (mundo externo), o indivíduo ficará estático e inadaptado com o todo. Portanto, o processo de individuação só ocorre em paralelo ao de individualização num interligar harmonioso e em equilíbrio, gerando, então, uma organização perfeita entre os dois mundos:

Mundo Externo x Mundo Interno
Periferia x Centro
Amplo x Restrito
Transitoriedade x Transcendência
Temporal x Eterno
Ocidental x Oriental
Masculino x Feminino
Anima x Animus

Referindo-se à necessidade de equilíbrio, agora, com relação aos hemisférios cerebrais, Roberto Crema diz:

Importantes avanços da neurociência resultaram no desenvolvimento de um modelo holográfico do funcionamento cerebral, da memória e da consciência. Por outro lado, pesquisas e observações clínicas acerca da lateralização de funções no córtex cerebral evidenciam que a função analítica do raciocínio lógico, da previsibilidade e da angústia humana, tem no hemisfério esquerdo o seu substrato neurofisiológico, enquanto a sintética fundamenta-se no hemisfério direito, da intuição, a captação gestáltica de padrões e de melodias. Entre eles, e conectando os dois hemisférios, há o corpo caloso, um espesso feixe de nervos que agrega milhões de fibras nervosas que interligam os dois centros cerebrais. Gosto de pensar que Ocidente e Oriente não são meramente regiões geográficas; são estados de consciência complementares. O hemisfério cerebral esquerdo representa nosso “Ocidente interior” e o direito, nosso “Oriente interior.” (Roberto Crema)

Ocorrendo a complementação, a vinculação destes dois mundos, a superação da polaridade se fará dinamicamente. Citando o astrofísico e biólogo Carl Sagan, ele complementa: “Do corpo caloso depende o futuro da humanidade.”

Esta é a trajetória que o professor, imbuído da sua persona profissional, deve percorrer para que, ao ir-se despindo de sua máscara durante o seu árduo processo de individuação, se transforme no Educador.

Cada um aperta, ad infinitum, o parafuso que lhe cabe. A genial sátira de Chaplin, Tempos Modernos, muito bem o demonstra. O filósofo pensa, o matemático calcula, o seminarista reza, o padeiro faz pão, o poeta sente, o marceneiro martela, o místico delira, o cientista comprova, o professor ensina... e tantos parafusos mais. Esse retalhamento de funções conforma a ratoeira da dependência generalizada. Todos dependemos de todos. Alienados da consciência de inteireza, sofremos de um tipo de invalidez psíquica e de certa imbecilidade funcional. Enfim, de infelicidade crônica, pois a autêntica felicidade é uma capacidade do indivíduo ser inteiro e verdadeiro. Ser feliz é ser o que é. Nem mais nem menos. (Roberto Crema)

Para se dispor a momentos de sacrifício com o sentido de doação, de missão a cumprir, é necessária a luz do amor. Somente num ato de amor a transformação se faz, e o educador surge por inteiro, conseqüentemente, verdadeiro.

Um bom ano letivo para todos vocês! Feliz 2008!


Lêda Maya
 

Clique no link para rever todos os Papos
 

 
copyright © 2007  - www.ledamaya.com.br | Todos os direitos reservados.