Papo com Lêda

Papo 02 / Março de 2008

 

Relação é Reciprocidade

 

Estamos, neste mês de março, nos dedicando a duas comemorações: o Dia da Mulher e a Páscoa. Para a primeira, preparei-me, com muito carinho durante três meses. Combinei com minha amiga Célia, no nosso telefonema de Natal (ela mora em Nova Iorque), de encontrarmos-nos quando ela viesse comemorar sua aposentadoria no Brasil (funcionária do Serviço de Correios norte-americano aposentou-se em janeiro passado). Esse encontro seria no interior de Minas, na casa de sua irmã Nina, minha irmã mineira (tenho uma outra paraibana, moradora de Recife). Iríamos com sua irmã Adelina, que continua em Belô.  Isso aconteceu e em pleno mês das mulheres.

Lá estava Adelina pegando-me nos confins do mundo. Pequena parada em Belô para um almoço e pegar Célia e: pé na estrada. Três mulheres indo ao encontro de uma outra.

 

Cantamos a viagem inteira (duas horas e meia) e, neste trajeto, comecei a sentir a beleza da relação. Neste trajeto fez-se presente a emoção cósmica do Eu. Emocionei-me. A magia da reciprocidade estava instalada.

Em pouco tempo, de três viramos quatro. Quatro mulheres, reunidas na casa de uma, para juntas vivenciarem e experienciarem. Cinco dias, sendo três inteirinhos, exaltando a vida, o ser amiga, o ter amigas, o ser mulher.

Cinco dias. O mais rico nestes dias foi experenciar diferenças. Diferenças que trouxeram à tona uma gama de sentimentos. Que fizeram ressurgir dores, mágoas, medos, tristezas e raivas de coisas feias. Saudades de coisas bonitas. Unidas, contamos casos. Somamos histórias. Lembramos encontros e desencontros. Pesamos perdas e ganhos. Dividimos calor, respeitamos nossas diferenças e exaltamos o ser amiga, o ser mulher.

Quatro mulheres vivendo sentimentos que faziam e fazem parte delas e sentindo-se responsáveis entre si. Quatro mulheres vivendo cinco dias em que o amor aconteceu.

Para a segunda comemoração, acabo de degustar o delicioso almoço da Páscoa preparado com carinho pelo “maridão” e, alimentada, comparo estes dois encontros: o com as minhas amigas e com o simbolismo da morte e ressurreição de Cristo. Fica tão evidente a presença, a força e a beleza que ressurge com o ato do Amor.

Cito, então, Martin Buber para encerrar e ir saborear um Bom Bocado.

“(...) Amor é responsabilidade de um Eu para com um Tu: nisto consiste a igualdade daqueles que amam, igualdade que não pode resistir em um sentimento qualquer, igualdade que vai do menor ao maior, do mais feliz e seguro, daquele cuja vida está encerrada na vida de um ser amado, até aquele crucificado durante sua vida na cruz do mundo por ter podido e ousado algo inacreditável: amar os homens.”

Um beijo especial para vocês, minhas amigas, e uma Feliz Páscoa para todos,

Lêda Maya
 

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